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China põe boi americano e brasileiro no ringue

Postado em: 20/01/2020

China põe boi americano e brasileiro no ringue

Lideranças dos EUA acreditam que seu país tem maior potencial para oferecer carne de melhor qualidade, o chamado “boi de grão”

O novo acordo comercial assinado na última quarta-feira entre Estados Unidos e China acende um sinal de alerta na indústria exportadora de carne bovina do Brasil. Com o novo entendimento, os importadores chineses, principais clientes da carne brasileira, facilitaram o acesso à proteína vermelha norte-americana, promovendo mudanças significativas – tudo em favor dos EUA – no esquema de rastreabilidade da carne bovina, utilização de hormônios e restrições de idade (Veja a matéria AQUI). É certo que o Brasil é líder mundial na venda da commodity e tem como uma das vantagens o preço competitivo de sua carne e a produção em larga escala.

No entanto, a indústria norte-americana é capaz de entregar aos chineses um produto diferenciado, o “boi de grão”, que teoricamente tem qualidade superior ao animal suplementado  quase exclusivamente com capim – caso do Brasil.

Pelo menos é que pensam as lideranças da cadeia de carne bovina dos EUA. “A maior parte do que a China está importando atualmente é carne bovina de baixa qualidade e alimentada com capim, nada parecido com o que produzimos aqui nos Estados Unidos”, disse Kent Bacus, ao portal norte-americano Feedstuffs, diretor sênior de comércio internacional e acesso ao mercado da Associação Nacional dos Produtores de Carne Bovina (NCBA, na sigla em inglês).

Bacus classificou o acordo de “um dia verdadeiramente importante” para o setor de carne bovina dos EUA e para a NCBA.   “Acho que veremos um crescimento significativo em nossas exportações globais”, prevê Bacus. “O mercado chinês será significativo a longo prazo; temos uma tremenda oportunidade em toda a Ásia”, acrescentou o diretor da NCBA, citando também os mercados do Japão e da Coreia do Sul – esses dois países ainda proíbem o acesso da carne brasileira, alegando problemas sanitários (febre aftosa).

Em declarações ao portal Feedstuffs, Bacus cita o enorme potencial de consumo de proteínas de origem animal na China. “É um país que tem uma classe média maior que toda a população dos EUA – e que tem fome de proteína; eles estão com fome de carne”, destacou.

Segundo ele, depois que as cadeias de suprimentos no mercado chinês forem totalmente desenvolvidas e os EUA puderem comercializar para esses consumidores, “a China será um dos três principais mercados para nós em um futuro próximo”.

Uma análise anterior ao acordo realizada pela Federação de Exportação de Carne dos EUA estimou que, se todas as restrições chinesas fossem eliminadas, a China seria um mercado de US$ 4 bilhões para os EUA dentro de cinco anos. “Trata-se de uma estimativa conservadora”, disse Bacus, completando: “Esses cálculos foram feitos antes do surto da peste suína africana [que no ano passado dizimou o rebanho de porcos do país asiático]”.

Bacus disse que é muito difícil projetar um número sólido nas estatísticas da China no momento, mas a NCBA tentará quantificar isso no futuro próximo. Em relação ao acordo da primeira fase, Bacus disse que algumas coisas serão implementadas imediatamente, enquanto outras exigirão algum trabalho, “mas há um compromisso de avançar com isso o mais rápido possível”.