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O mercado brasileiro de startups vai mudar bastante, diz Bedy Yang, fundadora da 500 startups

Postado em: 13/04/2019

Para a brasileira, radicada no Vale do Silício, os fundos americanos querem diversificar investimentos


Investidora de empresas brasileiras como Viva Real, Descomplica e Conta Azul, a 500 Startups, misto de aceleradora e fundo de venture capital sediado no Vale do Silício, está olhando com mais atenção para o Brasil. Fundadora da empresa, a brasileira Bedy Yang prevê que o mercado por aqui vai “vai mudar bastante a partir deste ano”.

Dois fatores tornaram o ecossistema de startups no Brasil mais atraente, segundo ela. O primeiro é o número crescente de unicórnios formados aqui. O segundo é a criação de um fundo do Softbank, de US$ 5 bilhões, dedicado à América Latina.

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Mesmo com a chegada de investidores, Bedy diz que que o mercado continua carente de investidores. A própria 500 Startups hesita em criar um fundo dedicado ao Brasil. "Um fundo dedicado ao Brasil nos daria mais flexibilidade de investir em empresas de valor mais baixo. Isso depende do amadurecimento do mercado de investidores para nos acompanhar. Ainda não temos essa confiança”, diz.

Até pouco tempo, a 500 Startups investia e acelerava startups com avaliação mínima de US$ 1 milhão. Agora, subiu a régua para US$ 2,5 milhões.

Por isso, diz a fundadora da empresa, poucos negócios brasileiros entraram no portfólio. Há dois anos, eram 40, e agora são 43. “Naquela época, a conversão real-dólar ainda estava mais favorável, além do valor mínimo ser menor. Quando pulamos para quase R$ 10 milhões de avaliação mínima, a proporção acaba caindo”, aponta.

A alternativa para manter contato constante com os negócios brasileiros vem sendo programas mais curtos, em que não há investimento e a aceleração propriamente dita, mas uma orientação e aproximação de investidores. Os “batchs”, como são chamadas as iniciativas, acontecem na base recém-aberta pela 500 Startups em Miami – onde os olhos estão voltados para a América Latina – e têm duração de 2,5 meses, em vez dos quatro da aceleração habitual.

No primeiro batch promovido ano passado, de 10 startups selecionadas para participar, três são brasileiras: Runrun.it, EADBOX e a Apptite. Esta última, app de delivery de comida focado em pratos saudáveis preparados por chefs independentes, cresce 28% ao mês em vendas desde que participou do programa, segundo a 500 Startups.

Uma nova edição acontece no segundo semestre deste ano, e as inscrições serão abertas em julho.